Povo de sorriso aberto, arretado pelo sol que banha a pele e realça o brilho do olhar. Lugar de cabra-macho e Maria Bonita, embelezado da praia ao Sertão, mantém a característica do seu povo no sotaque e no batuque dos tambores. A roupa de couro, os pés sujos do chão de terra e o coração aberto para quem for de fora se apaixonar pelas belezas naturais de sua casa. Foi no ritmo do baião que me apaixonei pela região mais alegre do Brasil. A Semana da Cultura Nordestina, que começa no dia 2 de agosto, é em homenagem ao Rei do Baião, o saudoso Luiz Gonzaga. Suas músicas percorrem os cantos mais longínquos do país, mas o broto nasceu e se enraizou no Nordeste e dá frutos saborosos até hoje para toda a população brasileira.

A Semana da Cultura Nordestina data a morte de Luiz Gonzaga, que faleceu no dia 2 de agosto de 1989. As manifestações culturais permeiam todo o Nordeste e São Paulo, local onde existe o Conselho Estadual da Comunidade Nordestina e a semana é comemorada desde 1993. Acostumado a lutar do solo árido até o trabalho manual das grandes indústrias da capital paulista, os nordestinos levam consigo sua cultura indissociável e miscigenam sua rica culinária, música e festas típicas Brasil afora.

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O turismo é uma das principais atividades econômicas do Nordeste. As belezas naturais e receptividade dos nativos transformaram a região no principal destino dos brasileiros e um dos lugares mais visitados no mundo. Para tanto, é necessário que as acomodações e aeroportos comportem o alto número de turistas. O Nordeste tem mais de 100 aeroportos divididos entre nacionais, estaduais e municipais. Os estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Norte têm aeroportos internacionais que facilitam a vida dos gringos para ouvir o batuque do Olodum dos baianos, se entrelaçar no maior cajueiro do mundo dos potiguares ou admirar as dunas que encontram o mar nos Lençóis Maranhenses.

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Culinária

O mar de águas quentes retrata a receptividade calorosa dos nordestinos e a culinária apaixona qualquer um que se atreva a experimentar a comida de temperos fortes e igualmente deliciosos. As comidas típicas da região têm influências portuguesas, indígenas e africanas. Os escravos vindos da África usavam temperos como azeite de dendê, leite de coco e o feijão. Os portugueses orientavam seus escravos com a receita e ficava por conta de os africanos transformarem os pratos nas refeições deliciosas que conhecemos hoje.

É quase obrigatório que os pratos nordestinos contenham carne seca, peixes ou/e frutos do mar. E a sobremesa? Bem, essas delícias todos os brasileiros conhecem bem! Os plantios da cana-de-açúcar nas (ainda) capitanias de Pernambuco e Bahia fomentaram receitas maravilhosas na época do Brasil Colônia e que se difundiram por todo o Brasil.

Acarajé

Encontrada em cada esquina da capital baiana, o acarajé representa o suprassumo da culinária nordestina. A comida é considerada sagrada e leva massa de feijão-fradinho, cebola e sal, frita em azeite-de-dendê e pode ser servido com pimenta, camarão seco, vatapá, caruru ou salada.

Só não caia no erro de falar que quer quente ao ser perguntado pela baiana: ela está se referindo ao nível de pimenta. Por isso, se você não for dos mais fortes para o tempero, peça sempre frio!

Buchada de Bode

Certamente um dos pratos típicos mais polêmicos de todo o Brasil! A buchada é feita com entranhas do bode, ou seja, rins, vísceras e fígado. Servida em bolsas feitas com o próprio estômago do animal. Esse é um daqueles pratos que não se deve saber do que é feito, só experimentar. Bem, estraguei um pouco sua experiência, mas saiba que é um dos pratos mais populares e queridos no Nordeste. Vai encarar?

Moqueca de Peixe

A moqueca de peixe nordestina se difere de outras moquecas, como a capixaba e pernambucana, pelo modo de preparo dos ingredientes. Rica em temperos e frutos do mar, a moqueca consiste em um cozido de peixe e outros frutos do mar, incluindo o leite de coco e azeite de dendê.

Tapioca

Essa delícia que serve o café da manhã do bom nordestino, a tapioca, recentemente, invadiu o cardápio fitness e ganhou ainda mais notoriedade no dia-a-dia do brasileiro. Entretanto, depende do que você põe no recheio! A tapioca leva polvilho, goma ou farinha de mandioca. Os recheios vão de carne seca, frango com catupiry, queijo coalho até o chocolate. Qual recheio se encaixa melhor ao seu paladar? É só escolher!

Vatapá

A primeira vez que você experimentar não vai esquecer nunca. Vai ser difícil identificar a diversidade de ingredientes na primeira colherada. Mas, conforme o prato vai acabando, percebe um toque ali e outro lá dos camarões mais robustos e dos temperos mais fortes. O vatapá leva pão molhado ou farinha de rosca, tomate, alho, cebola, azeite de oliva, fubá, gengibre, pimenta-malagueta, amendoim, cravo, leite desnatado e castanha de caju. O ingrediente principal pode ser camarão, peixe, bacalhau ou frango. Um arrozinho também cai bem para acompanhar o prato.

Canjica/ Mungunzá

Conhecida no Brasil todo como canjica, o Mungunzá é perfeito para aquecer o corpo em dias frios. O doce é feito com milho, açúcar, canela em pó e leite. Como que fica ruim uma coisa dessas?

Cocada

A cocada é feita a base de coco fresco ralado, açúcar e água. O tradicional doce ainda tem variações e muitos doceiros se utilizam de frutas como maracujá para dar mais sabor à cocada.

Pamonha

Ó a pamonha!! A voz que ecoa pelas ruas também invade o coração dos apaixonados por doces. Feita de milho, com um toque de coco e leite condensado, a pamonha tem seu charme por ser ‘embalada’ pela folha do milho. Impossível sair do Nordeste sem experimentar uma delícia dessas!

Pé de Moleque

Presente em exatamente 100% das festas de São João pelo Brasil, o pé de moleque é um dos doces mais queridos do país. O doce é aparentemente simples, uma vez que leva apenas rapadura e amendoim. Se você conseguir fazer, envie um pouquinho pra gente!

Rapadura

Uma das sobremesas mais antigas e tradicionais da região, a rapadura é feita à base de cana-de-açúcar. Mas cuidado ao comer, rapadura é doce, mas não é mole não!

Pontos Turísticos

O sol escaldante alimenta a pele e transforma em espelho o mar quente de corais coloridos. Mergulhando em águas rasas vemos diferentes peixes, formas de vida que acreditamos morar no nosso imaginário, mas está bem ali, à um palmo de distância sem medo algum de quem os observa. Cores e contrastes sobressaem na paisagem pintada pela natureza e admirada por aqueles de bom coração. O Nordeste atrai turistas da cidade, turistas do litoral sul, do litoral norte, do sertão e da fazenda, movidos pela paixão de conhecer o desconhecido e tocar o intocável.

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Muitos pontos turísticos do Nordeste são explorados e conhecidos mundialmente, sendo um clichê poses para fotos diante dos monumentos erguidos pela fauna e a flora. Entretanto, ainda há muitos lugares a conhecer, escondidos em trilhas e estradas de chão mata adentro.

Bahia - Pelourinho e Olodum

Destino clássico de todos que visitam Salvador, o Pelourinho, ou Pelô, te leva de volta aos tempos de Brasil Colônia. As casas coloridas foram construídas nessa época, realçadas pela arquitetura barroca e o chão de pedra. Pelô fica no centro histórico da cidade e, além de toda a sua história registrada pelas ruas, ainda reserva muita diversão. As apresentações do Olodum acontecem por lá, onde os colaboradores sobem a rua com seus tambores que não deixam o mais sonolento turista parado.

Sergipe – Cânion do Xingó

A 210 quilômetros da capital Aracaju, é possível chegar ao Cânion do Xingó tanto de carro quanto de avião. Canindé de São Francisco, de onde sai o catamarã que faz o passeio pelo lugar. O Cânion do Xingó é o quinto maior cânion navegável do mundo. A água verde do Rio São Francisco que corre pelas rochas avermelhadas é resultado da criação da hidrelétrica do Xingó, em 1994. O represamento do Rio São Francisco para a construção da usina alagou a antiga caatinga e criou um paraíso para turistas e nativos.

Alagoas – Costa dos Corais

Imagine se banhar em piscinas naturais cercado por corais e paisagens de cinema? É isso que você vai encontrar na Costa dos Corais, a 36 km de Maceió, capital de Alagoas. O lugar possui acomodações para todos os bolsos e permite que o visitante saia com a alma renovada pela paisagem deslumbrante da água azul piscina e areias brancas da região. São inúmeras praias, o que diminui a chance de ser incomodado, e incontáveis opções de restaurantes para degustar a culinária nordestina entre um tibum e outro.

Pernambuco – Porto de Galinhas

Localizada no município de Ipojuca, a 60 quilômetros da capital Recife, Porto de Galinhas é um dos principais destinos dos turistas no Nordeste. Eleita a melhor praia do Brasil 10 vezes consecutivas pela revista Viagem e Turismo, a praia atrai tanto visitantes em busca dos mares cristalinos que se somam ao céu no horizonte quanto surfistas em busca de boas ondas. A região conta com piscinas naturais, mais comuns na maré baixa, areia branca e coqueirais. Quem não fica tentado a visitar o lugar quando vê uma paisagem dessas?

Paraíba – Campina Grande

Campina Grande, a 126 km da capital João Pessoa, é o principal polo industrial do Nordeste. O Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP) fica ao lado do Açude Velho, que ficam no centro da cidade. A cidade tem diversos atrativos, mas é na comemoração de São João que Campina Grande se destaca. A capital atrai 2,5 milhões de pessoas durante um mês inteiro de festas, que vão de 7 de junho até 7 de julho. O Parque do Povo é o palco das festas que atrai grandes artistas nordestinos como Elba Ramalho, Aviões do Forró e Wesley Safadão. Tem que ter pique pra aguentar tanta atração durante um mês de festejos!

Rio Grande do Norte – Maior Cajueiro do Mundo

Você sabia que um cajueiro é capaz de atrair milhares de turistas? Mas não é um cajueiro comum. Se trata do Maior Cajueiro do Mundo! A árvore possui 8.500 metros quadrados de copa e está no Guinness Book, o livro dos recordes, desde 1994. O cajueiro possui uma anomalia genética que faz com que seus galhos cresçam para os lados ao invés de para cima. Portanto, quando os galhos encostam no chão, criam raízes e crescem novamente, formando novos troncos, por isso o cajueiro é extenso e baixo. O Maior Cajueiro do Mundo fica de frente para a praia de Pirangi, no município de Parnamirim, a 25 km de Natal, capital potiguar. O cajueiro não para de crescer e os turistas podem levar quantos frutos quiser da árvore, mas sem exagero! Por maior que seja, o ponto turístico recebe muitos visitantes, portanto, deixe um pouquinho para o próximo e admire a paisagem composta pela natureza.

Ceará – Canoa Quebrada

Canoa Quebrada foi descoberta nos anos 70 pelos hippies, que encontraram no lugar remoto grande beleza natural e um povo amistoso das tribos indígenas e pescadores. Localizada no alto das falésias avermelhadas da região, o lugar tem dunas e mar verde piscina, retratado constantemente em filmes brasileiros e até franceses. Apesar da grande estrutura para conforto dos turistas, Canoa Quebrada ainda preserva seu astral alternativo e místico. O local fica a 12 km do município de Aracati, e a 163 km de Fortaleza, capital cearense. A comunidade ainda preserva os costumes antigos e oferece passeios nas jangadas. Sob a luz da Lua e das estrelas, devidamente esculpidas numa de suas falésias, a rua apelidada de Brodway é o ponto de encontro entre turistas e moradores, embalados pelo ritmo do reggae e do forró.

Piauí – Serra da Capivara

O Parque Nacional da Serra da Capivara é uma área de conservação brasileira que se localiza em 13 municípios, dentre eles o Canto do Buriti, Coronel José Dias, São João do Piauí e São Raimundo Nonato, que são as principais bases dos turistas. Além da magnitude da natureza, como a Pedra Furada e o Baixão das Andorinhas, o lugar é a maior e mais antiga concentração de sítios pré-históricos da América e a maior concentração de pinturas rupestres do mundo! São mais de 1.200 sítios arqueológicos e mais de 30 mil pinturas nas pedras da região. Para chegar no Parque você precisa pegar um avião para Teresina, capital do Piauí, e de lá ir pela rodovia estadual até o município de São Raimundo Nonato, cidade com maior infraestrutura de toda a região. É um caminho longo, mas isso tudo é recompensado na primeira vista do imponente da Pedra Furada.

Maranhão – Lençóis Maranhenses

Quem nunca ouviu falar das dunas e lagos dos Lençóis Maranhenses? Destino dos turistas durante todo o ano, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses tem duas épocas: a da chuva, que vai de janeiro a julho, e a seca, de agosta a dezembro. A temperatura média de 26 °C contribui para que os visitantes entrem nos lagos formados entre as dunas e interajam com a natureza. A sede do Parque está a 260 km da capital do estado, São Luís, que engloba os municípios de Barreirinhas, Primeira Cruz e Santo Amaro do Maranhão. A beleza do lugar é estonteante e, como muitos pontos turísticos do Nordeste, já foi cenário de diversos filmes e produções televisivas. Durante a visita, é possível observar animais silvestres como guarás, gato do mato e o majestoso peixe-boi-marinho. Aposto que você ficou com vontade de andar por essas dunas e curtir esse visual ímpar do Nordeste brasileiro!

Obrigado Nordeste!

O Brasil deve muito ao Nordeste! Sua cultura rica serve nossas mesas, suas cidades preservadas e receptivas acolhem milhares de turistas do Brasil e do mundo e seu povo, guerreiro e orgulhoso de suas raízes, permeiam pelos quatro cantos do Brasil em busca da felicidade. Sua música une casais, sua simplicidade cativa o mais urbano ser humano e seu mar de águas quentes reacende as perspectivas de dias melhores. A calmaria da maresia, os coqueiros curvados que te convidam a uma soneca à beira mar e a receptividade espalhada no sorriso fácil dos nativos amolece o coração de pedra de qualquer pessoa. Se ainda não conhece o Nordeste, você não conhece a melhor parte do Brasil. O Brasil do povo guerreiro, que não desiste nunca e que, apesar de tudo, mantém suas raízes através da alegria sincera pelas coisas mais simples da vida. Que as comemorações da Semana da Cultura Nordestina se estendam por todas as semanas no país de Luíz Gonzaga.

*Texto publicado originalmente no LinkedIn.

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